quarta-feira, 16 de maio de 2012

Entre a Fé e as Lágrimas

Há meses eu luto contra meu eu, contra uma série de desejos, contra ideias que insistem em atormentar até meus sonhos, transformando-os em pesadelos.
Durante meses, eu fiz terapia com um intuito, mudar sem que a tal mudança me destruísse, hoje tudo parece vão. Todas àquelas horas no consultório, às vezes sorrindo, outras aos prantos. Havia dias que em que a confiança era tamanha, que nada no mundo poderia me derrubar, porém talvez, naquele mesmo dia, eu sentia todo o peso do mundo me derrubar.
Eu já fui diagnosticada como: paranoica, histérica, depressiva, maníaca, bipolar e por ultimo Borderline. Já tentei vários tratamentos, inclusive espiritual, por um tempo alguns ajudaram tanto medicamentos quanto o espiritual. Já disseram que era o “demônio que queria que eu me contasse”, que eu “só queria chamar a atenção”, mas no fundo eu sei que sou só mais uma no meio de milhões.
Nunca falei sobre isso aqui no blog, nunca me dei esse direito. Sei que não sou muito visitasse, mas se um conhecido visse isso.. meu único pensamento era como eu seria vista se fizesse isso. Histórias, batalhas, e muito mais coisas eu teria pra partilhar, inclusive a batalha, que hoje me parece eterna de não me mutilar, tentando usar aquelas frases que o AA usa: Um dia de cada vez. Eu controlo bem a expressão das pessoas quando veem as cicatrizes, o olhar de curiosidade e pena, são ciclos, às vezes me importo menos, em outras me importa muito, pois odeio o sentimento PENA.
Já decidi me mudar, queria sair de casa, sair da cidade, nunca senti que pertenço... parece ser impossível me encontrar, onde quer que eu viva. Não odeio minha cidade, mas, passei a odiar mais da metade das pessoas que habitam nela, eu não queria mais sair, minha única alegria é tomar meu Rivotril e dormir por horas à fio, e os encontros com a terapeuta. Então, depois de várias discussões com a terapeuta, tomando um novo medicamento, me senti confiante em mudar e disse a mim mesma: hoje começa minha verdadeira vida.
Confesso que só de me lembrar, de me ver dizendo isso enfrente ao espelho, eu começo a chorar. Depois de anos passei e ser sistemática, organização pra mim é importante, as coisas tinham que sair como eu planejava. Eu já fui uma pessoa que estudei muito, me empenhei muito, até mesmo agora acho que estudar e ler tanto me deixou mais chata, mais critica e menos tolerante, e isso é horrível, pois por mais que planejemos, por mais que tudo indique que será daquele jeito, não é. A vida não tem um curso certo, planos é apenas um roteiro para se guiar, não para seguir a risca.
Ainda não saí de casa, mas decidir ter um pouco mais de fé, eu tenho minhas crenças, mas não sou alienada em religião (um dia já fui). Como eu queria pertencer, ter meu lugar, queria achar um lugar que valorizasse meus conhecimentos – apesar de muitos acharem que sou louca, modéstia a parte, sou inteligente e esforçada, se fosse louca rasgava dinheiro...
Mas tenho me sentido mal... não me lembro como era me sentir bem, parecia um sonho distante de outyra pessoa.
Não consegui ainda achar uma cena, ou algo que eu possa comparar este sentimento, o desespero, parece que tudo que digo, ou a que comparo doí menos do que essa maldita dor psicológica. É torturante.
Ainda me seguro na fé, fé de que Deus uma hora vai olhar e finalmente me enxergar e dizer: chegou sua vez. Eu não suportaria, não suporto pensar em falhar.
Os remédios acabaram,não sei quando vou conseguir uma consulta com minha psiquiatra, ouvi uma vez de um médico: não te transformarei em uma garota feliz e sorridente, só lhe darei algo pra aliviar e aprender a lidar com isso tudo… Mas pensando bem, às vezes desejo esse remédio que diz que vai deixar tudo “maravilhoso”, mesmo que uma falsa felicidade, conviver com essa dor, viver em guerra, tentar não cair totalmente, só quem luta sabe.
Pra quem chegou até aqui nesse texto meio sem nexo, se você é border, bipolar, neurótico, psicótico, seja o que for, não desista, mesmo que a duras penas, eu queria ter escrito um texto feliz, sobre como estou conseguindo me manter firme no meu projeto “sem cortes”. Tenho tido minhas recaídas, mas essa não sou eu, pelo menos é o que tento repetir pra mim mesma antes de acontecer... Eu às vezes entro no banheiro, vejo algo cintilante, aquela vontade, aquele desejo me divide, então entro debaixo do chuveiro e choro mais ainda. É um dia de cada vez. Uma cruz que se leva, eu até perco a cabeça, mas não vou perder aquilo que ainda me mantem viva vários meses, ainda que seja uma sobrevida.
Eu digo a mim mesma, não tenha medo Hellen, a pior violência é se permitir a temer, somos julgados diariamente, pressionados por toda vida. Gostaria que aqueles que apenas passeiam os olhos aqui porque conhece alguém que tem este problema lhes peço, tenha paciência. Sei que parecemos egoístas, mas muitas vezes infelizmente é só uma característica da doença (quando digo doença, é porque de fato somos doentes, porém não incapazes).

Um comentário:

  1. oi amiga.
    qualquer coisa q eu diga é clichê e pensei q a única q posso dizer q faz toda diferença mesmo é a verdade mais profunda:
    amo vc

    ResponderExcluir