Mas qual é a vantagem de fingir que não há o problema?
— Quando ele é sem solução, a vantagem é que você não terá que resolver algo que não tem como ser resolvido.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Ensaio sobre Fernanda
Pra ela eu conto qualquer tipo de coisa com o coração todo aberto, porque eu sinto de forma muito clara a facilidade e o acolhimento com que me ouvie.
Uma boa confidente, daquelas que me deixa livre para dizer tudo o que eu quiser sobre mim, inclusive bobagens das quais talvez eu me arrependa logo depois de dizê-las. E é assim que ela é.
Ela interage com o meu sentimento da vez, sem estar com a razão toda arrumada para análises profundas, tiradas magníficas, sermões, dos quais nem sempre preciso.
Uma boa confidente, essa maravilha rara, aproxima, generosamente, a vida dela na minha vida e, apesar da mágica interação que acontece com essa proximidade, consegue manter a distância necessária para não confundir a sua história com a minha.
Só de olhar para ela, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz.
Algumas pessoas simplesmente valem a pena.
As vezes eu reclamo da dependência, mas como é maravilhosa a dependência, confiar no outro, confiar no outro a ponto de não somente repartir a memória, mas repartir os pensamentos.
Confiar no outro a ponto de esquecer quem se foi assim que o outro esteja junto, ela me faz sentir assim.
Contar minhas coisas, e só sentir que essas coisas existem de verdade quando eu conto pra ela como é.
É como se o ouvido dela fosse meus olhos.
E esse é meu atestado de confissão.
Uma boa confidente, daquelas que me deixa livre para dizer tudo o que eu quiser sobre mim, inclusive bobagens das quais talvez eu me arrependa logo depois de dizê-las. E é assim que ela é.
Ela interage com o meu sentimento da vez, sem estar com a razão toda arrumada para análises profundas, tiradas magníficas, sermões, dos quais nem sempre preciso.
Uma boa confidente, essa maravilha rara, aproxima, generosamente, a vida dela na minha vida e, apesar da mágica interação que acontece com essa proximidade, consegue manter a distância necessária para não confundir a sua história com a minha.
Só de olhar para ela, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz.
Algumas pessoas simplesmente valem a pena.
As vezes eu reclamo da dependência, mas como é maravilhosa a dependência, confiar no outro, confiar no outro a ponto de não somente repartir a memória, mas repartir os pensamentos.
Confiar no outro a ponto de esquecer quem se foi assim que o outro esteja junto, ela me faz sentir assim.
Contar minhas coisas, e só sentir que essas coisas existem de verdade quando eu conto pra ela como é.
É como se o ouvido dela fosse meus olhos.
E esse é meu atestado de confissão.
Fernanda e Napoleão
domingo, 15 de janeiro de 2012
Silêncio - 2
Falo agora do silêncio e da sua imensidão, mas dou voltas e mais voltas nessa esquina vazia e o que vejo é apenas a vontade de tentar entender o que acontece aqui do lado de fora, porém, quando me vejo tentando decifrar a mim mesma, percebo que estou mais dentro de mim do que posso imaginar.
Esse é o problema! Estar dentro é estar perdido.
O silêncio faz isso com a gente, nos coloca de cara com quem realmente somos e com o que, de fato, precisamos. Ele traz à tona tudo aquilo que os barulhos da vida deram conta de esconder, mas vejamos, só foi escondido, não foi morto.
Nessa esquina me vejo tentando entender algumas outras coisas, agora sentado, pensando, sonhando, querendo apenas compreender aonde foram todos aqueles que calavam o silêncio.
Percebo, então, nessa mesma esquina, que uma vida toda pode passar, mas a falta permanece e aqueles que davam sentido para o que chamamos de existência, também se calam quando a gente se cala.
Esse é o problema! Estar dentro é estar perdido.
O silêncio faz isso com a gente, nos coloca de cara com quem realmente somos e com o que, de fato, precisamos. Ele traz à tona tudo aquilo que os barulhos da vida deram conta de esconder, mas vejamos, só foi escondido, não foi morto.
Nessa esquina me vejo tentando entender algumas outras coisas, agora sentado, pensando, sonhando, querendo apenas compreender aonde foram todos aqueles que calavam o silêncio.
Percebo, então, nessa mesma esquina, que uma vida toda pode passar, mas a falta permanece e aqueles que davam sentido para o que chamamos de existência, também se calam quando a gente se cala.
Silêncio
Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala.
Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a coisas amenas. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo (ás vezes).
Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado.
É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para mim, como professora de creche, o silêncio as vezes é um presente.
O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada, não há mensagens no facebook e mesmo assim, você entende a mensagem…
Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a coisas amenas. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo (ás vezes).
Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado.
É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para mim, como professora de creche, o silêncio as vezes é um presente.
O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada, não há mensagens no facebook e mesmo assim, você entende a mensagem…
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Loucura Voluntária
Troquei horas de lucidez, por loucura voluntária. Sai de casa com destino certo, porém sem intenções predeterminadas. Descobri aos quarenta e cinco do segundo tempo, e mudei de objetivo durante os acréscimos. Confiei em sorrisos sádicos e forcei um ego ético, para não perder o controle e deste modo, não chorar. Prometi o que não cumpri, por comodismo de antecedentes decepcionantes, com sede de ver a vingança magoar. Criei ilusões, e me iludi com criações alheias. Por momentos frios, o sangue híbrido correu forte nas veias, quando poucos segundos, duraram tempo suficiente para achar que não iriam acabar.
Mas acabou, e o tempo está forçando o vento e a vida à carregarem isso para longe.
Porém não há pra onde… Desde o momento em que olhamos para trás, uma parte do que deveria partir, não se desfaz.
Mas acabou, e o tempo está forçando o vento e a vida à carregarem isso para longe.
Porém não há pra onde… Desde o momento em que olhamos para trás, uma parte do que deveria partir, não se desfaz.
Querido Deus
Perdoe-me a ousadia de lhe escrever como se ainda fosses ler, mas as coisas andaram tão ruins, que nunca se sabe no meio de que porre vou querer saber como é voar e pular de alguma ponte.
Te escrevo por puro hábito, por ser a Ti a quem eu recorria quando ficava difícil demais sorrir, quando tinha medo de mim.
Então… as barras andaram pesando por aqui. Na verdade desde que Você se foi, não tive muita paz. Umas festas memoráveis, umas conversas maravilhosas, uns livros inspiradores, uns arrepios fortíssimos, mas de paz, paz mesmo, muito pouco experimentei.
Espero, com toda sinceridade, que esteja tendo mais sucesso que eu. Andei pensando em desistir, não de uma forma infantil e ingênua, mas como uma coisa que sei que é fato consumado, só com data a definir. Não acho justo dizer isso, mas o Senhor é uma boa parcela dos motivos pras minhas últimas crises existenciais que me deixam tão fraca quanto subnutrida de fé. Tudo tem me doído até a última gota. Tudo tem me exigido demais. Mas se Tu me perguntasses o que me aconteceu, agora, pra eu querer vislumbrar o fundo do rio que a ponte atravessa, eu não saberia dizer. Dentro de mim acontece de tudo, o Senhor bem sabe, das mais bonitas magias às mais desprezíveis culpas. Mas fora… ah, fora pouco me importa. Tirando essa gente com vício de me deixar, (tipo o Senhor), pouca coisa que esteja diretamente ligada a mim me afeta. A dor do africano com fome sempre vai, mas isso é de mim, Tu sabes (ainda sabes?).
Essa carta era pra soar otimista, mas tem me faltado forças pra criar essas coisas… só quero dizer que ainda assim, me admiro com o tamanho da força que tenho. Sinto Tua falta, sempre, mas nunca admitiria a Ti. Sou forte e implacável, ou é isso que tento te dizer enquanto sorrio. O Senhor disse que nada iria me separar do Teu amor, nem o presente, nem o porvir, nem altura ou profundidade... quem sabe algum dia eu resolva testar uma outra dimesão, pra ver se Te encontro novamente. Eu continuo tentando viver aqui (ainda que às vezes doa… ou sempre). Amor, Hellen
Te escrevo por puro hábito, por ser a Ti a quem eu recorria quando ficava difícil demais sorrir, quando tinha medo de mim.
Então… as barras andaram pesando por aqui. Na verdade desde que Você se foi, não tive muita paz. Umas festas memoráveis, umas conversas maravilhosas, uns livros inspiradores, uns arrepios fortíssimos, mas de paz, paz mesmo, muito pouco experimentei.
Espero, com toda sinceridade, que esteja tendo mais sucesso que eu. Andei pensando em desistir, não de uma forma infantil e ingênua, mas como uma coisa que sei que é fato consumado, só com data a definir. Não acho justo dizer isso, mas o Senhor é uma boa parcela dos motivos pras minhas últimas crises existenciais que me deixam tão fraca quanto subnutrida de fé. Tudo tem me doído até a última gota. Tudo tem me exigido demais. Mas se Tu me perguntasses o que me aconteceu, agora, pra eu querer vislumbrar o fundo do rio que a ponte atravessa, eu não saberia dizer. Dentro de mim acontece de tudo, o Senhor bem sabe, das mais bonitas magias às mais desprezíveis culpas. Mas fora… ah, fora pouco me importa. Tirando essa gente com vício de me deixar, (tipo o Senhor), pouca coisa que esteja diretamente ligada a mim me afeta. A dor do africano com fome sempre vai, mas isso é de mim, Tu sabes (ainda sabes?).
Essa carta era pra soar otimista, mas tem me faltado forças pra criar essas coisas… só quero dizer que ainda assim, me admiro com o tamanho da força que tenho. Sinto Tua falta, sempre, mas nunca admitiria a Ti. Sou forte e implacável, ou é isso que tento te dizer enquanto sorrio. O Senhor disse que nada iria me separar do Teu amor, nem o presente, nem o porvir, nem altura ou profundidade... quem sabe algum dia eu resolva testar uma outra dimesão, pra ver se Te encontro novamente. Eu continuo tentando viver aqui (ainda que às vezes doa… ou sempre). Amor, Hellen
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