domingo, 7 de outubro de 2012

Nao passa...

Engoli o choro mais uma vez. Engoli a vontade de gritar para todos.E engoli um pouco da dor também. Mas isso tá acumulando e acumulando aqui dentro de mim, e eu não aguento mais. Já pensei em desistir. Já fiz até milhares de loucuras para ver se tirava pelo menos um pouco dessa dor, mas parece que com o tempo só vai aumentando. Por isso foi desconfiando do que me dizem, dizem que com o tempo passa, cura. Mas isso é mentira. Por que pra mim o tempo passa, continua e dói mais.




domingo, 20 de maio de 2012

Christina Perri - Sad Song (tradução)

Querido Deus - 2

Deus, o Senhor quer a verdade?
Não estou nada bem.
Durante o silêncio, o que ouço são apenas minhas próprias lágrimas tocando o chão. Acho que cheguei numa fase avançada, você me faz a maior falta. Não consigo mais me conter enquanto falo com Você, é sufocador, dominante. Será que Você me ouve?
Tenho a sensação que estou te perdendo, por causa dessa intrometida barreira de quilometros entre nós. Estou começando a me conformar. O pior não é isso. Minha vontade de te abraçar onde fica? Não sei a cor exata dos seus olhos ou a cor que eles ficam quando sai no sol, não sei quais seus lugares favoritos ou lugar da casa que mais se aloja. Não sei qual é o tom da sua risada, se sua pele é macia ou natural. Deitada olhando para o teto, imagino como são seus traços, como um carinho agora cairia bem;
Me pergunto até quando isso vai durar. Desde que Te conheci não tenho feito nada mais que estudar uma maneira de chegar até Você...
Penso no que você pode estar fazendo, por quem está olhando, cuidando....confesso que morro de ciumes, porque Você parece não olhar pra mim. Ainda mais não estando por perto, doi em mim; No coração, é como se fosse uma facada no peito.
O pôr do sol não é mesmo sem o aconchego do teu colo, nem mesmo as estrelas são as mesmas, me sinto só. Falta Você. Em tudo ou pra tudo. Está cada vez pior, não sei quanto tempo mais vou aguentar. Está doendo tanto e a noite as lágrimas não param de cair. O coração grita ao seu alcance, como se Você pudesse ouvir e assim eu vou levando. Já que não tenho Você, enquanto isso, tento me contentar com a idéia de que Você me vê, de que Você me cuida, mesmo que eu não sinta. Pois não é o sentir, é uma questão de fé,´no meu caso, uma fé quase morta e enfraquecida.
Mas agora falando bem a verdade....
Não estou nada bem.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Entre a Fé e as Lágrimas

Há meses eu luto contra meu eu, contra uma série de desejos, contra ideias que insistem em atormentar até meus sonhos, transformando-os em pesadelos.
Durante meses, eu fiz terapia com um intuito, mudar sem que a tal mudança me destruísse, hoje tudo parece vão. Todas àquelas horas no consultório, às vezes sorrindo, outras aos prantos. Havia dias que em que a confiança era tamanha, que nada no mundo poderia me derrubar, porém talvez, naquele mesmo dia, eu sentia todo o peso do mundo me derrubar.
Eu já fui diagnosticada como: paranoica, histérica, depressiva, maníaca, bipolar e por ultimo Borderline. Já tentei vários tratamentos, inclusive espiritual, por um tempo alguns ajudaram tanto medicamentos quanto o espiritual. Já disseram que era o “demônio que queria que eu me contasse”, que eu “só queria chamar a atenção”, mas no fundo eu sei que sou só mais uma no meio de milhões.
Nunca falei sobre isso aqui no blog, nunca me dei esse direito. Sei que não sou muito visitasse, mas se um conhecido visse isso.. meu único pensamento era como eu seria vista se fizesse isso. Histórias, batalhas, e muito mais coisas eu teria pra partilhar, inclusive a batalha, que hoje me parece eterna de não me mutilar, tentando usar aquelas frases que o AA usa: Um dia de cada vez. Eu controlo bem a expressão das pessoas quando veem as cicatrizes, o olhar de curiosidade e pena, são ciclos, às vezes me importo menos, em outras me importa muito, pois odeio o sentimento PENA.
Já decidi me mudar, queria sair de casa, sair da cidade, nunca senti que pertenço... parece ser impossível me encontrar, onde quer que eu viva. Não odeio minha cidade, mas, passei a odiar mais da metade das pessoas que habitam nela, eu não queria mais sair, minha única alegria é tomar meu Rivotril e dormir por horas à fio, e os encontros com a terapeuta. Então, depois de várias discussões com a terapeuta, tomando um novo medicamento, me senti confiante em mudar e disse a mim mesma: hoje começa minha verdadeira vida.
Confesso que só de me lembrar, de me ver dizendo isso enfrente ao espelho, eu começo a chorar. Depois de anos passei e ser sistemática, organização pra mim é importante, as coisas tinham que sair como eu planejava. Eu já fui uma pessoa que estudei muito, me empenhei muito, até mesmo agora acho que estudar e ler tanto me deixou mais chata, mais critica e menos tolerante, e isso é horrível, pois por mais que planejemos, por mais que tudo indique que será daquele jeito, não é. A vida não tem um curso certo, planos é apenas um roteiro para se guiar, não para seguir a risca.
Ainda não saí de casa, mas decidir ter um pouco mais de fé, eu tenho minhas crenças, mas não sou alienada em religião (um dia já fui). Como eu queria pertencer, ter meu lugar, queria achar um lugar que valorizasse meus conhecimentos – apesar de muitos acharem que sou louca, modéstia a parte, sou inteligente e esforçada, se fosse louca rasgava dinheiro...
Mas tenho me sentido mal... não me lembro como era me sentir bem, parecia um sonho distante de outyra pessoa.
Não consegui ainda achar uma cena, ou algo que eu possa comparar este sentimento, o desespero, parece que tudo que digo, ou a que comparo doí menos do que essa maldita dor psicológica. É torturante.
Ainda me seguro na fé, fé de que Deus uma hora vai olhar e finalmente me enxergar e dizer: chegou sua vez. Eu não suportaria, não suporto pensar em falhar.
Os remédios acabaram,não sei quando vou conseguir uma consulta com minha psiquiatra, ouvi uma vez de um médico: não te transformarei em uma garota feliz e sorridente, só lhe darei algo pra aliviar e aprender a lidar com isso tudo… Mas pensando bem, às vezes desejo esse remédio que diz que vai deixar tudo “maravilhoso”, mesmo que uma falsa felicidade, conviver com essa dor, viver em guerra, tentar não cair totalmente, só quem luta sabe.
Pra quem chegou até aqui nesse texto meio sem nexo, se você é border, bipolar, neurótico, psicótico, seja o que for, não desista, mesmo que a duras penas, eu queria ter escrito um texto feliz, sobre como estou conseguindo me manter firme no meu projeto “sem cortes”. Tenho tido minhas recaídas, mas essa não sou eu, pelo menos é o que tento repetir pra mim mesma antes de acontecer... Eu às vezes entro no banheiro, vejo algo cintilante, aquela vontade, aquele desejo me divide, então entro debaixo do chuveiro e choro mais ainda. É um dia de cada vez. Uma cruz que se leva, eu até perco a cabeça, mas não vou perder aquilo que ainda me mantem viva vários meses, ainda que seja uma sobrevida.
Eu digo a mim mesma, não tenha medo Hellen, a pior violência é se permitir a temer, somos julgados diariamente, pressionados por toda vida. Gostaria que aqueles que apenas passeiam os olhos aqui porque conhece alguém que tem este problema lhes peço, tenha paciência. Sei que parecemos egoístas, mas muitas vezes infelizmente é só uma característica da doença (quando digo doença, é porque de fato somos doentes, porém não incapazes).

sábado, 12 de maio de 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Insista...

Insista em mim. 
Na minha loucura, nas minhas canções desafinadas, nos meus atrasos, nas minhas exigências, nas minha noites mal dormidas e manhãs de mau humor, nos meus mistérios, no que não digo e nas minhas dúvidas fora de hora. 
Insista em mim, não desista de mim.
Por Favor...



sábado, 28 de abril de 2012

O Sabor da Torta

Acho que o maior problema dos relacionamentos contemporâneos é da ordem gastronômica. Da forma como eu vejo - e talvez esteja influenciada pela fome da madrugada - as pessoas são como grandes tortas de sabores variados. Algumas a gente bate o olho e já sabe que vai gostar, às vezes só pelo cheiro. Outras vezes, a gente segue a intuição e só depois descobre que é alérgico a nozes, ou pior, que a torta em questão curte sertanejo universitário.
Mas, ao contrário do que você possa estar pensando, o problema dos relacionamentos contemporâneos não reside no fato de que somos tortas gigantes. Tortas são bonitas e gostosas, na grande maioria das vezes - exceto nas festas de aniversário em escritórios no centro da cidade. A tristeza da coisa está na constatação de que estamos vivendo uma época em que queremos afetividade por quilo. Isso significa que, devido a alta oferta de tortas no mercado, ninguém consegue se focar em apenas um sabor.
O que temos hoje é uma porção de tortas sendo vorazmente garfadas e deixadas de lado, aos pedaços, disformes, tristes. Todo mundo quer um pedacinho de torta, uma fatiazinha fina do tipo "estou-de-dieta-não-quero-muito". Tem sempre alguém querendo dar uma mordiscada, uma lambidinha, uma passadinha de dedo marota. O que ninguém quer - ou tem coragem de fazer - é arriscar e levar a torta inteira para casa.
E essa é a grande lástima. Estamos acostumados a tirar lasquinhas de várias sobremesas e levar à balança do restaurante para pesar. É a insustentável leveza da torta mousse de chocolate e do cheesecake de framboesa. Estamos acostumados a ter muitas, muitas opções de comida. E de pessoas. Conheço gente que tem mais de 1.000 amigos no Facebook. Como se alguém fosse fisicamente capaz de ter mil amigos.
E qual é o resultado disso? Tortas garfadas e destroçadas, sem lugar cativo na geladeira de ninguém, vagando por aí, pelas noitadas, pelas festas, tristes, tortas. E, pouco a pouco, elas vão perdendo a doçura. Vão se tornando descrentes, azedas, estragadas pelo ataque dos garfos despretensiosos.
Somos tortas. Claro que somos comidas. Mas o que eu queria mesmo era experimentar a sensação de ser a preferida de alguém. Aquela que é levada dentro do pacote - o pacote completo, com todos os defeitos e qualidades, com todas as garfadas sofridas, com tudo aquilo que faz de mim a torta gigante que eu sou. Estou farta de me pedirem pedacinhos. Quero ser levada por inteiro.

Alguém

Eu sei que deveria ser mais grata por tudo que a vida tem me dado, mas quer saber?
A vida é uma cadela manca e raivosa. E se eu consegui alguma coisa até hoje foi porque tive que brigar muito pra tirar o naco de carne dos dentes dela.
Eu não estou feliz. Mentira. Estar parte do pressuposto de que algum dia eu já estive. E nunca houve esse dia. Pelo menos não um dia inteiro. Talvez algumas poucas horas. Mas como eu já disse, a vida é uma cadela.
Tenho 2 empregos, estou na universidade e estou atulhada de trabalhos da Faculdade até o pescoço e sem absolutamente nenhuma vontade de fazer nenhum. O que eu realmente queria fazer? Me teletransportar para um lugar bem longe, onde as pessoas saem na rua usando chapéu. Sem ser o México, tá? Eu ficaria ridícula de sombrero.
Eu iria a Paris agora, não fosse pelo pequeno inconveniente da falta de dinheiro, de ter 2 empregos e a faculdade em andamento. Mas o descontentamento não vem das coisas que eu tenho.Vem do que eu não tenho...
O problema é esse resquício de crença que eu tenho nessa porcaria de - eu não acredito que vou dizer isso - amor. É um saco ter que admitir, mas eu espero encontrar alguém.
E quem é alguém? Alguém é uma entidade mitológica, que costuma aparecer algumas - poucas - vezes na vida de cada ser humano. Alguém pode estar em qualquer lugar, onde você menos imagina, inclusive aí do seu lado. Mas não adianta procurar muito, porque reza a lenda que alguém só aparece quando você menos espera. As histórias são muitas.
Ouvi dizer que se você gritar "alguém" três vezes na frente do espelho, ele aparece e se casa com a sua melhor amiga. (mentira, a lenda diz que a gente grita pra loira do banheiro três vezes e ela aparece na sua casa)
Mas mesmo sabendo que essa pessoa mitológica não existe, eu me recuso a desapegar do conceito. Porque, apesar daquilo que eu finjo ser na maior parte do tempo, apesar do discurso cínico que eu costumo dar sobre a impossibilidade dos relacionamentos, eu continuo com os dedos cruzados, torcendo pelo dia em que alguém vai aparecer e me provar que eu estava errada.
Tenho 2 empregos, 1 Faculdade em andamento, 1 melhor amiga, outras 2 boas amigas, centenas de pessoas que fingem gostar de mim, outras centenas que me odeiam e não disfarçam. São bons números, eu deveria querer comemorar. Mas a vida é uma cadela. E eu não estou feliz. Porque quando eu fecho os olhos e imagino o futuro, eu vejo a França, vejo chapéus, vejo projetos em andamento e quem sabe algumas horas felizes. Mas também vejo um número solitário que irá me acompanhar ao longo dos meus dias e fins de semana até a minha cama.
Paciência. Talvez alguém seja ocupado demais para aparecer na vida de todos.

domingo, 15 de abril de 2012

O que ela vê

Ela, do jeito que é, preenche todas as suas carências do passado, e vê que ela precisa dela e isso a faz sentir importante, e vê que ela boceja só de pensar na palavra bocejo e que faz parecer que é sempre primavera, de tanto que gosta de flores, e ela vê que ela é tão insegura quanto ela e é humana como todos, vê que ela é livre e poderia estar com qualquer outra pessoa, mas é ao seu lado que está, e vê que ela se preocupa quando ela chega tarde e não se preocupa se ela não diz que a ama de 10 em 10 minutos, e por isso ela a ama mesmo que ninguém entenda.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Nada sei...

Tenho vontade de encher parágrafos e mais parágrafos com pontos de interrogação. É tudo o que eu penso em escrever. Tenho mil perguntas para fazer e parece que quanto mais respostas, mais dúvidas surgem. Quanto mais me conheço, menos sei o que fazer de mim. Quero explodir, mas me contenho, quero me impor, mas me escondo, quero gostar, mas racionalizo.
Onde vou chegar se não me soltar?
Tenho medo de ficar presa nessas linhas.
Tenho medo do que eu escrevo se tornar realidade.

E se eu tiver que ser alguma coisa pra sempre, porque o que está no papel não se apaga mais, e estou escrevendo quase certezas sobre mim o tempo todo?

Ensaio sobre Fernanda (2)

Algumas vezes na vida, você encontra uma amiga especial. Alguém que muda sua vida simplesmente por estar nela.
Alguém que te faz rir até você não poder mais parar.
Alguém que faz você acreditar que realmente tem algo bom no mundo.
Alguém que te convence que lá tem uma porta destrancada só esperando você abri-la.
Isso é uma amizade pra sempre.
Quando você está pra baixo e o mundo parece escuro e vazio, sua amiga pra sempre te põe pra cima e faz com que o mundo escuro e vazio fique bem claro.
Sua amiga pra sempre te ajuda nas horas difíceis, tristes e confusas.
Se você se virar e começar a caminhar, sua amiga pra sempre te segue.
Se você perder seu caminho, ela te guia e te põe no caminho certo.
Sua amiga pra sempre segura sua mão e diz que vai ficar tudo bem.
Sua amiga é pra sempre, e pra sempre não tem fim.

Fernanda e João

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Eu...

Não me sinto bonita na maior parte do tempo. E isso não é uma tentativa desesperada de conseguir uns elogios. Não sou tão carente assim. É que eu realmente tenho razões para me sentir dessa forma.
Antes de mais nada: dê uma boa olhada nessa menina da foto.


Quer dizer, no que a mãe dela estava pensando pela manhã, antes de mandá-la para o maternal? "Filha, não esquece de colocar os óculos, o tênis ortopédico e aquele animal morto no seu cabelo."
E o freak show não para por aí não. Por alguma razão, meus dentes de leite demoraram muito tempo para cair. Tipo - muito tempo. Isso significa que, aos doze anos, enquanto minhas amiguinhas pré-adolescentes davam seus primeiros beijos, eu me encontrava - desculpa, deixa eu respirar fundo - banguela. Fiquei sem meus caninos por um bom tempo, porque além de demorarem a cair, eles também demoraram a crescer.
Você pode achar que isso é o suficiente para aniquilar a auto-estima de alguém, mas nããão. Senta aí e espera o resto. Ainda falta os cabelos crespos extremamente rebeldes, o corte chanel que me deixou parecendo um abajur, e nem vou comentar sobre o excesso de peso. Isso sem contar com os coleguinhas da escola, porque nada grita mais "me sacaneie" do que uma menina gorda e com um bicho morto na cabeleira exótica.
A coisa só foi melhorar depois dos meus dezoito anos, quando eu comecei a ficar mais jeitosinha. Antes disso, fui completamente invisível para os meninos.
Eu só era vista na hora de pedir cola, até porque, algum atributo eu tinha que ter, né? E ser esquisita por dezoito anos tem lá suas vantagens. Você põe a leitura em dia, conhece uma porção de autores, amplia seu leque musical, ouve bandas desconhecidas. Enfim, é ótimo.
Não sei como eu seria hoje se tivesse ido a todas aquelas festinhas iradas. Se tivesse sido objeto de desejo dos garotos do colégio. Se não fosse excluída dos grupinhos legais.
Não sei.
Talvez eu fosse uma pessoa mais bem resolvida, menos encanada com tantas bobagens, menos paranóica, obsessiva e complexada.
Não me sinto bonita na maior parte do tempo. Mas em vez de odiar cada uma das pessoas e dos eventos que contribuíram para isso, eu faço o oposto. Porque se não fosse por eles eu não seria eu. Minhas questões seriam outras e os caminhos teriam me levado a um outro lugar que não este em que me encontro.
E você, provavelmente, nunca teria me conhecido.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

PNL

Deus, Olha, eu queria apenas contar que eu não Te amo. Quer dizer, a gente tem que ter coragem para contar uma coisa dessas, não é? Então, estou te contando. Fui me “tratando” aos poucos e me fazendo não amar Você. Não, não ri porque nunca falei tão sério: eu me tratei. Não era doença, mas é sempre bom prevenir essas coisas que chegam sorrateiramente e quando vemos, puft!, já nos atropelou. Eu não queria ir parar embaixo de um caminhão cheio de Você e de coisas que eu nunca iria conseguir alcançar.
Mal comecei a escrever e Você pode perceber que uso muito o “sempre” e o “nunca”, mas faz parte do meu tratamento, estou tentando radicalizar o meu não amar Você para não ter chances de dar errado. Anulo qualquer possibilidade de futuro e me alimento apenas dessa realidade fria que conto agora.
O seu sorriso, esqueci. Não quero saber os seus mistérios, sinto que não deve nem ser nada, você não tem a graça que eu pensava que tinha.
Você? Você foi passageiro temporário, ilusão, loucura da minha cabeça que necessita sempre idealizar alguma coisa para suportar esta semana e a próxima e todos os outros dias. É mania minha de não saber viver comigo.
Vê como não te amo? Sonhei e muito com você, conjuntamente, não nego. Mas passou, não passou? Estou agora segura de mim, das minhas certezas - repito isso todos os dias ao acordar, faz parte do tratamento. Estou seguindo em frente. Acho que as coisas precisam andar novamente, o calendário está passando e, na bem da verdade, eu não amo você.
Não considere estranha a minha confissão. Parte do meu tratamento de Você exige uma coisa fundamental: que você diga que também não me ama. Porque se você me amar eu lembro logo do caminhão… E sem saber, eu paro logo embaixo dele. Não vá esquecer: eu não amo Você. Você sabe: repetir as coisas em voz alta faz parte do meu tratamento. Programação Neuroliguística.
Tudo isso é para ver se me convenço, se Te esqueço, se não Te amo.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quem é ela, o nome dela?

Liguei os pontos, encaixei as peças, entendi a trama.
Foi uma mentirada tão grande, um engano tão inacreditável, um contexto tão absurdo, que custei a acreditar.
Foi dessas traições de fazer confiança tremer de susto e doer de tristeza.
Foi dessas armadilhas inimagináveis que, olhando direito, às vezes são armadas até com o nosso auxílio, distraídos que estávamos em territórios que nos pareciam megaseguros.
Não, não foi a primeira vez e provavelmente não seria a última.
Eu confiei, sim, e não me arrependo nem um centímetro, olhando daqui.
Pra confiar é preciso viver com o coração. Eu vivo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Se eu morrer...

Chi, Se eu morrer antes de você, me faz um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, me defenda. Se me quiserem fazer uma santa, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santa, mas estava longe de ser a santa que me pintam. Se quiserem me fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser boa e amiga. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: Foi minha amiga, acreditou em mim e quis ir mais perto de Deus!’ Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros farão isso no meu lugar. E, me vendo bem substituída, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. Você acredita nessas coisas? Sim? Então ore para que a gente viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que a gente morra como quem soube viver direito. As pessoas só fazem sentido se trazem o céu pra mais perto da gente.
Eu não vou estranhar o céu… Sabe porque? Porque… Te conhecer já é um pedaço dele!









Mulher não desiste, se cansa

Eu tenho essa coisa de ir até o fim, esgotar todas as possibilidades, pagar pra ver. E pago mesmo. Pago caro, com juros e até parcelado. Mas não tem preço sair de cabeça erguida, sem culpa, sem ‘e se’! Eu completo o percurso e às vezes fico até andando em círculos, mas quando eu mudo de caminho, meu amigo, é fim de jogo pra você.
Enquanto eu te encher o saco com ciúmes e saudade, pare de reclamar e agradeça a Deus! Porque no dia que eu aceitar tranquilamente te dividir com o mundo, eu não fiquei mais compreensiva, eu parei de me importar, já era. Quem gosta, cuida!
E eu cuido até demais, mas dar sem receber é caridade, não carinho! E estou numa relação, não numa sessão espírita.
Eu entendo e respeito seu jeito, desde que você supra pelo menos o mínimo das minhas necessidades, principalmente emocionais, porque carne tem em qualquer esquina.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Qual a vantagem?

Mas qual é a vantagem de fingir que não há o problema?


— Quando ele é sem solução, a vantagem é que você não terá que resolver algo que não tem como ser resolvido.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ensaio sobre Fernanda

Pra ela eu conto qualquer tipo de coisa com o coração todo aberto, porque eu sinto de forma muito clara a facilidade e o acolhimento com que me ouvie.
Uma boa confidente, daquelas que me deixa livre para dizer tudo o que eu quiser sobre mim, inclusive bobagens das quais talvez eu me arrependa logo depois de dizê-las. E é assim que ela é.
Ela interage com o meu sentimento da vez, sem estar com a razão toda arrumada para análises profundas, tiradas magníficas, sermões, dos quais nem sempre preciso.
Uma boa confidente, essa maravilha rara, aproxima, generosamente, a vida dela na minha vida e, apesar da mágica interação que acontece com essa proximidade, consegue manter a distância necessária para não confundir a sua história com a minha.
Só de olhar para ela, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz.
Algumas pessoas simplesmente valem a pena.
As vezes eu reclamo da dependência, mas como é maravilhosa a dependência, confiar no outro, confiar no outro a ponto de não somente repartir a memória, mas repartir os pensamentos.
Confiar no outro a ponto de esquecer quem se foi assim que o outro esteja junto, ela me faz sentir assim.
Contar minhas coisas, e só sentir que essas coisas existem de verdade quando eu conto pra ela como é.
É como se o ouvido dela fosse meus olhos.
E esse é meu atestado de confissão.

Fernanda e Napoleão

domingo, 15 de janeiro de 2012

Silêncio - 2

Falo agora do silêncio e da sua imensidão, mas dou voltas e mais voltas nessa esquina vazia e o que vejo é apenas a vontade de tentar entender o que acontece aqui do lado de fora, porém, quando me vejo tentando decifrar a mim mesma, percebo que estou mais dentro de mim do que posso imaginar.
Esse é o problema! Estar dentro é estar perdido.
O silêncio faz isso com a gente, nos coloca de cara com quem realmente somos e com o que, de fato, precisamos. Ele traz à tona tudo aquilo que os barulhos da vida deram conta de esconder, mas vejamos, só foi escondido, não foi morto.
Nessa esquina me vejo tentando entender algumas outras coisas, agora sentado, pensando, sonhando, querendo apenas compreender aonde foram todos aqueles que calavam o silêncio.
Percebo, então, nessa mesma esquina, que uma vida toda pode passar, mas a falta permanece e aqueles que davam sentido para o que chamamos de existência, também se calam quando a gente se cala.

Silêncio

Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala.
Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a coisas amenas. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo (ás vezes).
Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado.
É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para mim, como professora de creche, o silêncio as vezes é um presente.
O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada, não há mensagens no facebook e mesmo assim, você entende a mensagem…

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Loucura Voluntária

Troquei horas de lucidez, por loucura voluntária. Sai de casa com destino certo, porém sem intenções predeterminadas. Descobri aos quarenta e cinco do segundo tempo, e mudei de objetivo durante os acréscimos. Confiei em sorrisos sádicos e forcei um ego ético, para não perder o controle e deste modo, não chorar. Prometi o que não cumpri, por comodismo de antecedentes decepcionantes, com sede de ver a vingança magoar. Criei ilusões, e me iludi com criações alheias. Por momentos frios, o sangue híbrido correu forte nas veias, quando poucos segundos, duraram tempo suficiente para achar que não iriam acabar.


Mas acabou, e o tempo está forçando o vento e a vida à carregarem isso para longe.

Porém não há pra onde… Desde o momento em que olhamos para trás, uma parte do que deveria partir, não se desfaz.

Querido Deus

Perdoe-me a ousadia de lhe escrever como se ainda fosses ler, mas as coisas andaram tão ruins, que nunca se sabe no meio de que porre vou querer saber como é voar e pular de alguma ponte.
Te escrevo por puro hábito, por ser a Ti a quem eu recorria quando ficava difícil demais sorrir, quando tinha medo de mim.
Então… as barras andaram pesando por aqui. Na verdade desde que Você se foi, não tive muita paz. Umas festas memoráveis, umas conversas maravilhosas, uns livros inspiradores, uns arrepios fortíssimos, mas de paz, paz mesmo, muito pouco experimentei.
Espero, com toda sinceridade, que esteja tendo mais sucesso que eu. Andei pensando em desistir, não de uma forma infantil e ingênua, mas como uma coisa que sei que é fato consumado, só com data a definir. Não acho justo dizer isso, mas o Senhor é uma boa parcela dos motivos pras minhas últimas crises existenciais que me deixam tão fraca quanto subnutrida de fé. Tudo tem me doído até a última gota. Tudo tem me exigido demais. Mas se Tu me perguntasses o que me aconteceu, agora, pra eu querer vislumbrar o fundo do rio que a ponte atravessa, eu não saberia dizer. Dentro de mim acontece de tudo, o Senhor bem sabe, das mais bonitas magias às mais desprezíveis culpas. Mas fora… ah, fora pouco me importa. Tirando essa gente com vício de me deixar, (tipo o Senhor), pouca coisa que esteja diretamente ligada a mim me afeta. A dor do africano com fome sempre vai, mas isso é de mim, Tu sabes (ainda sabes?).
Essa carta era pra soar otimista, mas tem me faltado forças pra criar essas coisas… só quero dizer que ainda assim, me admiro com o tamanho da força que tenho. Sinto Tua falta, sempre, mas nunca admitiria a Ti. Sou forte e implacável, ou é isso que tento te dizer enquanto sorrio. O Senhor disse que nada iria me separar do Teu amor, nem o presente, nem o porvir, nem altura ou profundidade... quem sabe algum dia eu resolva testar uma outra dimesão, pra ver se Te encontro novamente. Eu continuo tentando viver aqui (ainda que às vezes doa… ou sempre). Amor, Hellen