quinta-feira, 28 de maio de 2015

E eu me aperto a fim de caber nos mundos, nas pessoas, nos buracos. Eu me escondo no escuro e na luz ninguém me acha. Definho e vomito os dizeres, as necessidades, os cânceres, e a vida não sente o remorso que sinto por ser quem sou. Sou quem? Uma anti-humano, uma dor comprimida, um esquecimento. Uma vaga lembrança, uma explosão inacreditável da crença perdida de um pobre. Eu definho as minhas tristezas, quase nunca aceitas engolidas em pequenos goles de saudade misturado com sei lá o quê. Meu gemido ninguém escuta porque ele voa com o vento e vira consoante que alivia meu peito. Peito? que peito? não tenho peito, tenho um buraco. Joga-me as solidões, as amarguras, os desafetos, os desalentos, os exílios. Joga-me os livros queimados, o amor que morreu, a esperança incerta. Joga-me teu esquecimento que foi a única coisa que me restou.

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