Falo agora do silêncio e da sua imensidão, mas dou voltas e mais voltas nessa esquina vazia e o que vejo é apenas a vontade de tentar entender o que acontece aqui do lado de fora, porém, quando me vejo tentando decifrar a mim mesma, percebo que estou mais dentro de mim do que posso imaginar.
Esse é o problema! Estar dentro é estar perdido.
O silêncio faz isso com a gente, nos coloca de cara com quem realmente somos e com o que, de fato, precisamos. Ele traz à tona tudo aquilo que os barulhos da vida deram conta de esconder, mas vejamos, só foi escondido, não foi morto.
Nessa esquina me vejo tentando entender algumas outras coisas, agora sentado, pensando, sonhando, querendo apenas compreender aonde foram todos aqueles que calavam o silêncio.
Percebo, então, nessa mesma esquina, que uma vida toda pode passar, mas a falta permanece e aqueles que davam sentido para o que chamamos de existência, também se calam quando a gente se cala.
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