domingo, 15 de janeiro de 2012

Silêncio

Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala.
Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a coisas amenas. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo (ás vezes).
Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado.
É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para mim, como professora de creche, o silêncio as vezes é um presente.
O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada, não há mensagens no facebook e mesmo assim, você entende a mensagem…

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