sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ensaio sobre Fernanda

Pra ela eu conto qualquer tipo de coisa com o coração todo aberto, porque eu sinto de forma muito clara a facilidade e o acolhimento com que me ouvie.
Uma boa confidente, daquelas que me deixa livre para dizer tudo o que eu quiser sobre mim, inclusive bobagens das quais talvez eu me arrependa logo depois de dizê-las. E é assim que ela é.
Ela interage com o meu sentimento da vez, sem estar com a razão toda arrumada para análises profundas, tiradas magníficas, sermões, dos quais nem sempre preciso.
Uma boa confidente, essa maravilha rara, aproxima, generosamente, a vida dela na minha vida e, apesar da mágica interação que acontece com essa proximidade, consegue manter a distância necessária para não confundir a sua história com a minha.
Só de olhar para ela, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz.
Algumas pessoas simplesmente valem a pena.
As vezes eu reclamo da dependência, mas como é maravilhosa a dependência, confiar no outro, confiar no outro a ponto de não somente repartir a memória, mas repartir os pensamentos.
Confiar no outro a ponto de esquecer quem se foi assim que o outro esteja junto, ela me faz sentir assim.
Contar minhas coisas, e só sentir que essas coisas existem de verdade quando eu conto pra ela como é.
É como se o ouvido dela fosse meus olhos.
E esse é meu atestado de confissão.

Fernanda e Napoleão

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