sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Querido Deus

Perdoe-me a ousadia de lhe escrever como se ainda fosses ler, mas as coisas andaram tão ruins, que nunca se sabe no meio de que porre vou querer saber como é voar e pular de alguma ponte.
Te escrevo por puro hábito, por ser a Ti a quem eu recorria quando ficava difícil demais sorrir, quando tinha medo de mim.
Então… as barras andaram pesando por aqui. Na verdade desde que Você se foi, não tive muita paz. Umas festas memoráveis, umas conversas maravilhosas, uns livros inspiradores, uns arrepios fortíssimos, mas de paz, paz mesmo, muito pouco experimentei.
Espero, com toda sinceridade, que esteja tendo mais sucesso que eu. Andei pensando em desistir, não de uma forma infantil e ingênua, mas como uma coisa que sei que é fato consumado, só com data a definir. Não acho justo dizer isso, mas o Senhor é uma boa parcela dos motivos pras minhas últimas crises existenciais que me deixam tão fraca quanto subnutrida de fé. Tudo tem me doído até a última gota. Tudo tem me exigido demais. Mas se Tu me perguntasses o que me aconteceu, agora, pra eu querer vislumbrar o fundo do rio que a ponte atravessa, eu não saberia dizer. Dentro de mim acontece de tudo, o Senhor bem sabe, das mais bonitas magias às mais desprezíveis culpas. Mas fora… ah, fora pouco me importa. Tirando essa gente com vício de me deixar, (tipo o Senhor), pouca coisa que esteja diretamente ligada a mim me afeta. A dor do africano com fome sempre vai, mas isso é de mim, Tu sabes (ainda sabes?).
Essa carta era pra soar otimista, mas tem me faltado forças pra criar essas coisas… só quero dizer que ainda assim, me admiro com o tamanho da força que tenho. Sinto Tua falta, sempre, mas nunca admitiria a Ti. Sou forte e implacável, ou é isso que tento te dizer enquanto sorrio. O Senhor disse que nada iria me separar do Teu amor, nem o presente, nem o porvir, nem altura ou profundidade... quem sabe algum dia eu resolva testar uma outra dimesão, pra ver se Te encontro novamente. Eu continuo tentando viver aqui (ainda que às vezes doa… ou sempre). Amor, Hellen

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